
É relevante discutir o papel da principal instituição (não-governamental) voltada para os autistas neste estado: a AMA-MG.
Segundo palavras da própria (e de longa data) presidente na audiência pública do último dia 04 na Câmara Municipal de Belo Horizonte, diferentemente das outras AMAs ao longo do país, a mineira OPTOU, já há muito anos, por não oferecer serviços aos autistas, preferindo concentrar esforços em pressionar politicamente o poder público a cumprir (sozinho) o seu papel no atendimento. Essa posição também estaria sendo defendida junto à Associação Brasileira de Autismo (ABRA), pela presidente da AMA-MG.
Posteriormente, tomei conhecimento de outras supostas razões para que a prestação de serviços antes realizada pela AMA-MG tenha sido interrompida. Entre elas, teria havido suspensão do financimento público e retomada do espaço físico cedido pela Prefeitura de Belo Horizonte (PBH). No entanto, é curioso como essas informações não estavam disponíveis quando, no ápice do desespero com o recém-diagnóstico de nossa filha, procuramos, logo de cara, a AMA, que é referência sobre autismo em todo o país. Não havia (e não há) no site oficial mantido pela instituição explicações sobre a ausência de serviços, ausência de informações para os pais, ausência de uma sede física real, ou sobre as atividades com o que a AMA-MG esteve envolvida nos últimos. Não havia (e não há) um email real para contato, e há relatos de pessoas que tiveram suas mensagens sistematicamente ignoradas pela presidente da instituição.
Por outro lado, também não tenho qualquer informação sobre os resultados dos esforços supostamente realizados pela AMA-MG no sentido de cumprir a função que optou por exercer. Mesmo se ignorarmos os resultados, também não encontraremos informações sobre o que de fato tentaram fazer, isto é, sobre as estratégias adotadas. E aqui talvez estejamos falando de quase uma década dedicada a essa linha de ação.
Acho perfeitamente compreensível que as poucas pessoas que provavelmente levavam (sozinhas) a AMA-MG nas costas tenham sucumbido às realidades mutantes de seus filhos autistas rumando para uma adolescência mais conturbada que a média, à particular falta de apoio do poder público em nosso estado, e à falta de interesse e motivação dos próprios demandantes, que é especialmente perniciosa por aqui (e alimenta o descaso da PBH). Eu entendo e aceito que a AMA-MG não tenha "dado certo". Eu não culpo os seus integrantes por isso. Na verdade, me solidarizo.
Mas não posso perdoar a falta de transparência. A "marca" AMA continua sendo usada por aqui, embora não passe de um fantasma. As informações sobre a retirada do apoio público às antigas atividades da AMA-MG só foram reveladas, extra-oficialmente, após uma provocação, e por alguém que sequer faz parte da sua diretoria. Por que isso foi e é escondido? Porque a instituição não está compartilhando a culpa?
É curioso como essa situação de certo modo parece refletir a postura da PBH de que o não surgimento de uma demanda formal pode ser oportunisticamente interpretado como ausência de problema. É como se os integrantes da AMA-MG agissem como se não tivessem nascido mais autistas depois dos seus próprios filhos?
Minha esperança é que apareça alguém para se defender e dizer que estou sendo injusto porque desconheço a situação. Se essa for a única maneira de fazê-los aparecer e reagir, não me incomodo.
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